AMANDO [REFLEXÃO]


[Pregação realizada dia 09 de setembro de 2018 na Igreja Batista Vida Plena em Várzea/PB]

Texto base: Mateus 36-40

 

 

Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

 

 

Leitura referencial: 1 João 3.11-23

Tema: amor fraterno; amor a Deus; ego transformado; conduta cristã.


            Quem nunca deixou de fazer algo por sentir que era a melhor decisão? Ou quem foi aquele que, por sentir que era o correto, realizou uma alguma coisa? Há um dito que é bradado em alta voz pelas ruas e lido nos mais diversos lugares.  Nesse momento, faço uso da expressão do nosso Senhor e digo:

Ouviste o que foi dito[1]: siga o seu coração; mas o Senhor, porém, lhe diz: “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto de suas ações.”[2]

            O mundo hoje exalta as emoções e sentimentos como fonte que pode ser usada para tomada de decisões e ações. Mas me diga: quando se está com raiva, é melhor tomar uma decisão na hora ou é preferível que ela seja aplacada?

            A bíblia nos instrui que o nosso coração (o centro de nossas emoções e sentimentos) é enganoso e perverso. A queda do homem, lá no Éden, corrompeu nossas emoções e nos deixou à mercê de algo que mesmo os filósofos antigos, como Sócrates, reconheceram como uma prisão: nós mesmos.

            A Santa Palavra nos mostra, então, que não podemos agir conforme aquilo que pensamos, mas em acordo com o que o Senhor diz que é o correto. Ele é a fonte de toda a moral cristã e a linha mestre de nossa conduta. Pensando nisso, então, Jesus nos dá dois mandamentos centrais dos quais, ele mesmo relata, “depende toda a lei e os profetas”[3], a saber: amar a Deus com todo o nosso coração, força e mente e ao próximo como a nós mesmos. Embora os ensinamentos aqui tratados possam ser usados em ambos os casos, nos foquemos no segundo.

 

Quem é meu próximo? 

            Para essa pergunta, serei direta e enfática: seu próximo é todo aquele que não é você mesmo e que pode ou não te tratar bem. Pode parecer desnecessário, mas infelizmente ainda existem aqueles pessoas que vivem para si mesmo e/ou não entenderam que ser amado por um cristão não é mérito dos que se comportam dignamente. Os que discordam de nós, nos acusam falsamente, zombam da nossa fé, nos chamam de bobos, e afins, a esses devemos amor. De outra forma, que honra seria dada a Deus se amassemos apenas aqueles nos amam? Até os ímpios fazem isso![4]

            Jesus diz:

“Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;
Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.
Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;
E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir.
E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também.”

(Lucas 6:27-31)

 

Então... Como amar o meu próximo? 

            Lembram das emoções? Elas não ajudam aqui. Na verdade, normalmente elas atrapalham. Afinal, como sentir simpatia por Hitler, Temer ou seu irmão que faz da vida dele te tirar do sério? C.S. Lewis nos ajuda em desvendar essa verdade em seu livro “Cristianismo Puro e Simples”. Tendo isso em mente Lewis, ao tratar sobre o perdão, diz:

“observei que o amor que temos por nós mesmos não implica simpatia por nós mesmos. Significa que queremos o nosso próprio bem. [...]

Não perca tempo perguntando-se se você “ama” o próximo ou não; aja como se amasse. Quando você se comporta como se tivesse amor por alguém, logo começa a gostar dessa pessoa.”

Sobre o amor a Deus, e a mesma coisa. Lewis explica:

 

“Não fique sentado tentando fabricar esse sentimento. Pergunte a si mesmo: ‘se eu estivesse certo de que amasse a Deus, o que eu faria?’ Quando encontrar a resposta, vá e faça”.

            Em sua primeira carta, João nos ensina: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (vs. 3:18 acf). Significa dizer, então, que meu amor não é um sentimento, uma emoção ou mesmo uma sensação, mas uma ação real realizada em quebrantamento e contrição diante de Deus. Mais adiante será explicado o porquê dessa motivação.

            Assim, podemos concluir que o amor cristão e menos sentimentos e emoções, e mais decisões e ações. Você decide amar alguém, então vai lá e ama.

 

O problema da falta de amor 

            A verdade, é que nossa insistência em não amar alguém, seja quem for, mas em especial as pessoas ditas “más”, vem da ideia, errada e nem sempre reconhecida, de que somos melhores do que elas. Afinal, não merecemos esse ou aquele tratamento, certo? Mas pensemos um pouco.

            A bíblia relata que nós, seres humanos, nos tornamos inimigos de Deus. Estávamos entregues a nossas paixões e desejos, satisfazendo aquilo que era do nosso agrado, mas desonroso ao Senhor. Não tínhamos nada em nós que pudesse ser atribuída uma parcela que fosse de justiça. Não havia justos na terra! Mas o Senhor decidiu amar a sua criatura, mesmo que cada uma das obras dela fosse má e abominável aos seus olhos. Ele, nos entanto, queria o melhor para nós. Deus é amor, então o melhor que ele poderia querer para cada um dos seus era, veja bem, ele mesmo. Assim Jesus é enviado ao mundo dos homens, vive em perfeita santidade ao Senhor, cumpre toda a sua vontade, é morto e ao terceiro dia ressuscita. Agora todos que creem nele e se arrependem de seus maus caminhos, são justificados pelo Pai e, graças ao mérito de Cristo e sua obra somos feitos filhos de Deus.

            Então você pode perguntar: “como posso amar alguém que só me despreza e não fez uma só coisa que possa ser dita boa para mim?”. A resposta de Deus anunciada no calvário é bem oportuna, não acha?

            Não deixe seu ego, seu orgulho, te impedir de fazer aquilo que tem de se feito. Se insiste que não consegue amar é porque não quer amar.

            Lembra quando falei sobre quebrantamento e contrição diante do Senhor? Pois bem. Você realmente não pode fabricar sentimentos. E tudo bem não concordar com essa ou aquela atitude tomada pelo outro. Se você acredita em Cristo, obviamente haverão ações que você odiará, pois elas desonram a Deus. Mas ainda assim, pelo pecador você irá orar, desejoso de que Deus conceda ao a ele arrependimento, afinal você reconhece que a única diferença entre ele e você é que Deus foi misericordioso contigo, lhe concedendo aquilo que pode conceder ao outro: salvação em Cristo; graça.

    

Para finalizar 

·         Não se desespere: continue perseverante agindo em benefício de outro para a glória de Deus. É melhor obedecer a Deus que ao seu coração; “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”.[5]

·         Repito: você não pode fabricar seus sentimentos, então aja como se os sentisse. Não por falsidade, mas sabendo que você não era digno de honra, mas foi alcançado por Deus. Então por saber que não é melhor, irá fazer aquilo que Deus quer.

·         Não é para sempre: ao fazer isso, se tranquilize em saber que o Senhor, por meio do Espírito Santo efetuará o querer fazer e as forças que precisa para realizar a obra[6]. Deus terminará aquilo que começou[7]. Quando perceber, você sentirá afeição pela pessoa e se preocupará em que ela conheça a Cristo.

·         Não confie na sua consciência. Por agir em desacordo com suas emoções, é natural que sua consciência te acuse de falsidade. Para isso temos 1 João 3:18-20: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. E nisto conhecemos que somos da verdade, e diante dele asseguraremos nossos corações; sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.”.



[1] Mateus 5:21-48

[2] Jeremias 17:9-10

[3] Mateus 22:36-40

[4] Mateus 5:47-48

[5] Tiago 1:22

[6] Filipenses 2:13

[7] Filipenses 1:6


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